
Jorge Fonseca lidera a convocatória portuguesa para o Campeonato da Europa de Tbilisi (16–19 de abril), numa equipa de dez judocas marcada pela ausência por lesão de Patrícia Sampaio e pela não chamada de Catarina Costa. A seleção mistura experiência — Fonseca, Rochele Nunes e Bárbara Timo — com atletas em ascensão, e chega à Geórgia com ambição mas também responsabilidades acrescidas.
Portugal convoca dez judocas para o Europeu de Tbilisi
A federação anunciou uma equipa de dez atletas para o 75.º Campeonato da Europa, que decorre em Tbilisi entre 16 e 19 de abril. A nota dominante é a presença do bicampeão mundial Jorge Fonseca (-100 kg), figura central das expectativas nacionais, e a simultânea ausência de figuras-chave do feminino por lesão.
Lesões e ausências que pesam
A campeã europeia em título Patrícia Sampaio (-78 kg) falha a prova devido a rotura do ligamento lateral interno do joelho esquerdo. Também não integra a convocatória Catarina Costa (-48 kg), vice-campeã europeia em 2025. Essas baixas retiram músculo ao setor feminino e aumentam a pressão sobre as restantes chamadas.
O núcleo duro da seleção
A equipa masculina conta com seis elementos:
Masculinos
Bernardo Tralhão (-60 kg, ACM) Miguel Gago (-66 kg, Académica de Coimbra) Otari Kvantidze (-73 kg, Sporting) João Fernando (-81 kg, Sporting) Jorge Fonseca (-100 kg, Sporting) — duas vezes campeão mundial Diogo Brites (+100 kg, Sporting)
Femininos
A equipa feminina é composta por quatro atletas: Taís Pina (Algés) Maria Siderot (-52 kg, Sporting) Bárbara Timo (-70 kg, Benfica) Rochele Nunes (+78 kg, Benfica)
Contexto recente e forma desportiva
No último fim de semana, no Grand Slam de Tbilisi, Taís Lima (-70 kg) foi a melhor portuguesa, terminando em 5.º lugar. Jorge Fonseca regressou há duas semanas ao pódio ao conquistar o bronze no Grand Prix da Áustria, mas teve uma eliminação precoce no próprio Grand Slam de Tbilisi. Estas oscilações de rendimento sublinham uma equação clara: talento existe, consistência é a pergunta.
Histórico em Tbilisi e tradição portuguesa
Tbilisi recebe o Europeu pela segunda vez — a primeira foi em 2009, quando Telma Monteiro ganhou um dos seus seis títulos continentais. Do grupo atual, Fonseca já foi bronze em Praga-2020; Rochele Nunes e Bárbara Timo também têm medalhas europeias no currículo (Lisboa-2021, entre outras participações).
O que isto significa para Portugal
A convocatória revela duas leituras complementares. Por um lado, há clareza estratégica: apostar em atletas com experiência em grandes palcos, como Fonseca, para segurar medalhas potenciais. Por outro, a ausência de Sampaio e Costa reduz as opções e obriga a maior responsabilidade coletiva por parte das restantes mulheres da equipa.
Expectativas e objetivos realistas
Analiticamente, Jorge Fonseca surge como a maior hipótese de pódio masculino. No feminino, as hipóteses diminuem sem Sampaio, mas nomes como Rochele Nunes e Bárbara Timo podem aproveitar oportunidades — sobretudo se o sorteio e a dinâmica competitiva favorecerem combates diretos a vigorar. O objetivo imediato deve ser maximizar pontos e experiência, com medalhas a depender de desempenho de topo e consistência ao longo do dia.
Próximos passos
A equipa viaja com a missão de competir com ambição clara: transformar experiência em resultados. Nas próximas semanas a atenção centra-se em preparação final, gestão física dos atletas e na leitura dos sorteios. Para Portugal, Tbilisi é uma prova de fogo que dirá se o país mantém a competitividade europeia em todas as categorias ou se precisa de acelerar a renovação e recuperação de lesões.
A Bola



