
Benfica desperdiçou a oportunidade de reduzir distâncias para o FC Porto ao empatar no reduto do Casa Pia, resultado que praticamente elimina a equipa da corrida ao título. A exibição expôs carências táticas e falta de agressividade ofensiva, forçando uma reflexão imediata de José Mourinho e da direção sobre o futuro do plantel.
Benfica empata com Casa Pia e vê título fugir
O empate em Rio Maior deixa o Benfica praticamente fora da luta pelo título após não aproveitar o deslize do líder FC Porto. A equipa entrou na partida com a chance de encurtar para cinco pontos, mas não foi capaz de somar os três pontos que mantinham as aspirações vivas.
O que aconteceu em campo
Benfica adiantou-se no marcador e controlou fases do jogo, mas permitiu a recuperação do Casa Pia através do golo de Rafael Brito. O resultado evidencia não só infelicidade pontual, como também demérito coletivo na gestão do jogo.
Impacto imediato: Mourinho e a exigência por “fome”
José Mourinho voltou a sublinhar a falta de vontade competitiva que tem observado em alguns jogadores. Essa leitura ganha peso quando o objetivo passa a ser garantir o segundo lugar e preparar uma época seguinte com ambição. A crítica à falta de fome traduz-se em exigência por atitude e consistência.
Problemas ofensivos: onde o Benfica falha
A incapacidade de ligar jogo pelo interior é a falha mais notória. O plantel atual privilegia extremos e soluções laterais, mas padece de jogadores capazes de construir jogo interior com regularidade. Entre Schjelderup, Lukebakio, Rafa e outros, há escassez de médios ou avançados com jogo interior natural.
O efeito na dinâmica da equipa
Sem ponto de ligação no centro, o ataque torna-se previsível e facilmente neutralizável. A estratégia exterior não tem sido suficientemente incisiva para ocultar essa limitação, embora jogadores como Schjelderup tenham assumido maior influência.
Quem se destaca e o que ainda vale
Prestianni surge como uma das raras alternativas que contraria a monotonia ofensiva; tem atitude e capacidade de quebrar linhas. Schjelderup é cada vez mais determinante. No entanto, o conjunto mostra desequilíbrios que vão além da falta de fome: escolhas de perfil e lacunas táticas também estão em jogo.
O que isto significa para a direção e para Mourinho
A temporada 2025/26 ainda não terminou, principalmente por causa da importância financeira do segundo lugar. Ainda assim, a direção tem de começar a pensar no projecto para 2026/27, avaliando reforços com características para jogar por dentro e acrescentar competitividade mental e física ao grupo que Mourinho quer liderar.
Próximos passos: Alvalade e decisões para a próxima época
A visita a Alvalade no dia 19 de abril torna-se um teste de caráter e indicador sobre a ambição real do Benfica nesta fase. Se a equipa não responder com mais coesão e agressividade, a discussão deixará de ser apenas táctica e passará para escolhas de mercado e gestão de pessoal.
Conclusão
O empate com o Casa Pia foi mais do que um ponto perdido: revelou fragilidades estruturais que exigem uma resposta rápida e pensada. Mourinho pode manter influência no futuro do clube, mas para isso será preciso corrigir perfis, reequilibrar o meio-campo e reacender a “fome” que, por ora, parece faltar.
A Bola



