
O técnico de Marrocos, Mohamed Ouahbi, criticou o formato da Copa do Mundo após a seleção terminar em segundo do Grupo C e ter de enfrentar a Holanda já na fase eliminatória, classificando o torneio de 48 seleções e a regra dos melhores terceiros como “complicada” e potencialmente desigual.
Ouahbi questiona formato de 48 seleções da Copa do Mundo
Marrocos garantiu vaga na fase eliminatória ao terminar em segundo lugar do Grupo C e enfrentará a Holanda em Monterrey, segunda-feira às 22h (horário local). Em coletiva, o técnico Mohamed Ouahbi apontou falhas no novo formato de 48 seleções, dizendo que a expansão e a inclusão dos melhores terceiros complicaram a equidade da competição.
O que o treinador disse
Ouahbi evitou usar a palavra “injusto”, mas foi direto: o formato atual cria cenários desiguais, sobretudo quando equipes com o mesmo número de pontos (ele citou o empate em sete pontos com o Brasil no grupo) vão a confrontos de dificuldade desigual já nas oitavas. Ele chamou a regra dos oito melhores terceiros de “complicada” e ressaltou a diferença que faz jogar em dias distintos — quem atua cedo não sabia o que precisava, enquanto quem jogou mais tarde tinha informação sobre o placar necessário.
Por que isso importa
A expansão para 48 seleções altera profundamente o desenho do mata-mata. Não só aumenta o número de jogos; muda a lógica de balanceamento entre chaves e cria dependência de calendários e horários. Quando resultados são conhecidos antes de outras partidas, obriga seleções a lidar com vantagens competitivas que não decorrem do campo, mas da ordem dos jogos. Para uma equipe como Marrocos, que evita reclamar mas percebe a desvantagem, a frustração é legítima e revela um problema estrutural.
Comparações e soluções sugeridas
Ouahbi sugeriu partidas simultâneas, como nos formatos de fase decisiva de outras competições, para reduzir assimetrias de informação — apontando, porém, que direitos de transmissão tornam isso inviável na prática. Ele também mencionou a Champions League como exemplo de formato que pode inspirar ajustes, sem, no entanto, propor um modelo específico para seleções. A análise é correta: qualquer mudança passa por interesses comerciais, logística e calendário internacional, o que torna soluções imediatas pouco prováveis.
Consequências esportivas e políticas
No curto prazo, a reclamação de Ouahbi coloca pressão sobre a organização do torneio e alimenta o debate público sobre a manutenção do formato de 48 seleções. No campo, a consequência imediata é prática: Marrocos precisa focar em neutralizar a qualidade coletiva da Holanda e não em regulamentos. A longo prazo, críticas repetidas de seleções e treinadores podem empurrar federações e a FIFA a reavaliar critérios de avanço e programação.
Para Marrocos, foco total no duelo
Apesar da insatisfação com o regulamento, a prioridade do elenco marroquino é a partida em Monterrey. Comentários sobre justiça e calendário servem para pressionar por mudanças futuras, mas não alteram a exigência imediata: preparar taticamente uma equipe capaz de competir com a Holanda num jogo de mata-mata, onde detalhes e experiência pesam.
Cnn Brasil



