
Do banco do Players RS ao círculo central da Seleção: Edmilson lembra ter identificado em Roger Ibañez qualidades raras e ter orientado a mudança de posição que transformou um meia promissor em zagueiro de nível europeu — agora convocado por Carlo Ancelotti, Ibañez pode enfim retribuir a aposta que o levou do Fluminense à Europa e, hoje, ao Al Ahli.
Da descoberta ao topo: como Ibañez mudou de posição e destino
Edmilson Silva, primeiro treinador de Roger Ibañez, conta ter visto um jogador diferente desde cedo. Inicialmente meia, o jovem passou a volante antes de recuar definitivamente como zagueiro por conselho do técnico. A mudança não foi cosmética: foi estratégica, pensada para colocá-lo no caminho de clubes de elite e da seleção.
A decisão acentuou atributos fundamentais — técnica ao sair com a bola, leitura de jogo e presença física — que o tornaram atraente para o mercado europeu.
Trajetória profissional: PRS, Fluminense, Atalanta, Roma e Al Ahli
Ibañez subiu da terceira divisão gaúcha para o Fluminense em meses. Convencer Abel Braga e integrar o elenco profissional foram passos rápidos, que abriram a porta para a transferência à Atalanta em 2019. Dois anos depois já havia dado novo salto para a Roma, onde consolidou-se antes de se transferir, em 2023, para o Al Ahli.
Cada etapa reforçou sua progressão técnica e mental: adaptação tática, trabalho para vencer espaço e uma ética de treino que Edmilson descreve como excecional.
O perfil do zagueiro moderno
Roger Ibañez encaixa no perfil exigido hoje: capacidade de sair jogando, conforto com a bola e agressividade defensiva. Essas características explicam a ascensão rápida na Itália e a visibilidade internacional que culminou em convocações olímpicas e para a seleção principal.
Para times como Atalanta e Roma, esse mix entre técnica e força física valeu mais que a reputação ou idade — e refletiu treinamento e escolhas de posição bem orientadas.

Convocação por Ancelotti e a chance de ser titular
Carlo Ancelotti incluiu Ibañez entre as surpresas dos amistosos pré-competição, e o zagueiro teve minutos na derrota para a França. A lista para o próximo amistoso contra a Croácia coloca-o em disputa por vaga no time titular.
Do ponto de vista tático, Ibañez oferece a Ancelotti opções: pode atuar numa defesa de três ou numa linha de dois zagueiros com mais saída de bola, o que amplia as alternativas do treinador.
Por que a história do início importa
A narrativa de Edmilson transforma uma convocação em prova de longo prazo: ações tomadas no subnível do futebol — mudança de posição, treinos extras, aposta do técnico — acabam moldando carreiras internacionais. Para o jogador, é reconhecimento; para o técnico formador, confirmação de um olhar clínico.
Isso também reforça uma lição mais ampla para a base: versatilidade e disciplina tática continuam sendo moedas fortes para quem busca chegar ao topo.
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O que vem a seguir
No curto prazo, Ibañez precisa aproveitar as oportunidades sob Ancelotti para consolidar-se entre os titulares da seleção. Na carreira de clubes, manter regularidade e competir por níveis europeus de exigência será decisivo para deslocar-se de jogador de surpresas a referência.
Analiticamente, sua ascensão indica algo claro: formadores locais ainda têm papel decisivo na elite do futebol brasileiro — e um zagueiro com técnica refinada e caráter forte pode transformar uma aposta de treinamento em legado internacional.
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