
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
É chover no molhado dizer que o Flamengo tem o melhor elenco do país, que tem um dos treinadores mais inteligentes e inventivos do continente e que o Mengão entra para vencer qualquer partida. Isso todo mundo sabe. A questão levantada hoje é que, aos poucos, o time de Filipe Luís vem adquirindo uma característica indigesta aos concorrentes: vence quando joga pior que o adversário.
Vimos algumas vezes times importantes da história dos pontos corridos, como o São Paulo tricampeão em 06, 07 e 08, ou o Palmeiras bicampeão em 22 e 23, terem como característica fundamental vencer jogos independente das atuações. Eram times que pontuavam em todas as oportunidades, mesmo quando dominados tecnicamente por seus adversários.
Essa condição, que tornava esses times muito competitivos, nunca foi muito observada no Flamengo, ao menos desde que o rubronegro voltou à disputa dos troféus de forma constante, a partir de 2016.
Para ser campeão, e o Flamengo o fez em várias ocasiões nos últimos 10 anos, era preciso que o Mengão jogasse melhor, dominasse os adversários e tivesse o controle das partidas. Essas sim, situações habituais do Rubronegro. Ultimamente, entretanto, temos observado um Flamengo que, as vezes, não domina, mas vence mesmo assim, como aconteceu no último domingo, contra o Corinthians, na NeoQuímica Arena, quando o Rubronegro venceu o Timão por 2x1, de virada.
O jogo foi, predominantemente, ditado pelo time da casa, que empilhou boas chances de gol (incluindo o pior pênalti já cobrado na história do estádio, feito alcançado por Yuri Alberto ainda na primeira etapa).
O Timão, jogando bem (o que não se via já há algum tempo), conseguindo encontrar seu camisa 9 entre as linhas de marcação flamenguistas com alguma frequência, o que gerou muito perigo à meta de Rossi. A pressão culminou na abertura do placar, em bonito gol de Yuri (agora finalizando como se deve), já na segunda etapa.
Após sair atrás no placar, o Flamengo entrou no jogo. Apertou, sufocou e empurrou o Corinthians para trás até achar o empate com Arrascaeta (que caminha a passos largos rumo ao prêmio de melhor jogador do campeonato). A virada veio no frigir dos ovos com bela finalização de Luiz Araújo.
Um Flamengo que sabe sofrer é inédito e assustador para os adversários. Além da já conhecida dominância rubronegra durante as partidas, agora será preciso se preocupar mesmo quando o time da Gávea não estiver nos seus melhores dias. O bom resultando em São Paulo, somado às derrotas de Cruzeiro e Palmeiras, colocam o time de Filipe Luís efetivamente na liderança do campeonato, podendo chegar aos 57 pontos caso vença o lanterna Sport em jogo atrasado.




