Em clássico cheio de reservas, Fluminense vence o Botafogo e se aproxima da Taça Guanabara

Em clássico cheio de reservas, Fluminense vence o Botafogo e se aproxima da Taça Guanabara

O Clássico Vovô no Estádio Nilton Santos começou sob condições extremas. Uma forte tempestade atingiu o Rio de Janeiro momentos antes do apito inicial e, aos 10 minutos, a partida precisou ser interrompida. Quando a bola voltou a rolar, o cenário era de um jogo pesado, com o campo encharcado, muitos reservas em ação e pouca fluidez técnica.

Aos 15 minutos, uma falha de Mateo Ponte quase resultou na abertura do placar para o Fluminense. Lima aproveitou o erro na saída, mas não conseguiu concluir. Aos 19’, o Botafogo evidenciava uma de suas principais dificuldades no primeiro tempo: ausência de aproximação dos meias na saída de bola, concentrando a construção apenas pela linha dos zagueiros.

Aos 20’, Matheus Martins fez boa jogada pela esquerda, passou por três marcadores e tocou para Mateo Ponte. A bola veio forte, mas o lateral conseguiu abrir para Kadu, que cruzou buscando Artur. Na disputa com Guga, o atacante pediu pênalti, e o árbitro mandou o jogo seguir.

O Fluminense passou a rondar mais a área. Aos 30’, Guga cobrou falta da intermediária e Léo Link fez boa defesa, espalmando para escanteio. O Botafogo só foi finalizar pela primeira vez aos 45+1, em cobrança de falta de Artur pela lateral direita, próxima ao bico da grande área. Fábio defendeu e, na sequência, sofreu falta de ataque.

O intervalo chegou com números que traduziam o jogo. O Fluminense terminou o primeiro tempo com 53% de posse de bola, 87% de passes certos e quatro finalizações, duas no gol. O Botafogo teve 86% de aproveitamento nos passes, mas apenas duas finalizações, ambas para fora.

Na arquibancada, em conversa entre amigos, Maik Santos foi direto:

— “Esse time está sem querência.”

Bugler concordou:

— “Pô, realmente. O Fluminense deu quatro chutes, dois no gol. O Botafogo só chutou aos 45 minutos. O meio-campo está muito longe. Mas confio que o Anselmi conserta no vestiário.”

Maik seguiu:

“É o que eu falei no último jogo. Tem que saber jogar conforme o jogo pede. O Fluminense não é um time ruim. O sistema do Botafogo está confuso, cada hora aparece um atacante num lugar diferente. Se for tática, beleza, mas tem que saber o que estão fazendo.”

Felipe Mamute, mais confiante, cravou:

“Meu comentário é que a gente vai ganhar o jogo.”

O segundo tempo começou com o Fluminense mais ligado. Logo aos 46’, Santi Moreno cabeceou e Léo Link fez grande defesa, jogando para escanteio. Aos 49’, Arana cobrou falta à direita do goleiro alvinegro, e a bola bateu na rede pelo lado de fora.

O Botafogo tentou reagir. Aos 55’, Artur arriscou de fora da área, à esquerda de Fábio. Aos 56’, Bernal também chutou de longe, e Léo Link defendeu sem dificuldade.

Em tom irônico, Rodrigo Barreto comentou na arquibancada:

— “Os cegos estão causando inveja hoje.”

Aos 60’, como definiu Maik Santos, “a cavalaria entrou em campo”, com as entradas de Danilo, Vitinho e Santi Rodríguez. Pouco depois, Mateo Ponte cruzou da direita, a zaga tricolor afastou e Danilo finalizou para fora.

O Fluminense seguia mais perigoso. Aos 61’, Martinelli encontrou Canobbio entre Marçal e Nathan Fernández; o atacante chutou e Léo Link salvou. Aos 62’, o Flu seguiu pressionando.

Aos 64’, o Fluminense mexeu: entraram Savarino, Serna e Acuesta; saíram Canobbio, Santi Moreno e Lima. Rodrigo Barreto provocou:

— “Agora vamos ver se o Savarino vai correr atrás de lateral ou se vai meter a marra de ‘sou 10’.”

Logo depois, Maik resumiu:

— “Só dá os caras.”

Aos 68’, Savarino arriscou chute cruzado pela direita, e Léo Link defendeu. Na sequência, John Kennedy abriu o placar. Após boa troca de passes, ele apareceu livre diante de Léo Link e finalizou no canto direito. Foi o primeiro gol sofrido pelo Botafogo sob o comando de Martín Anselmi.

Após o gol, Montoro entrou no lugar de Kadir, e Matheus Martins passou a ocupar a função de centroavante.

John Kennedy levou cartão amarelo aos 76’ por falta em Montoro. Alex Telles entrou no lugar de Nathan. Aos 78’, Barrera arrancou em velocidade e foi parado com falta por Inácio, que recebeu cartão amarelo.

O Botafogo tentou pressionar. Aos 85’, após escanteio, Danilo ganhou pela esquerda, tocou para Barrera, que finalizou para fora. Aos 88’, Serna apareceu livre na área após cruzamento da direita e chutou para a lateral. Na jogada seguinte, Léo Link reclamou de uma falta não marcada em Marçal, foi advertido pelo árbitro e recebeu cartão amarelo.

Nos acréscimos, Montoro fez boa jogada individual, passou por três e tocou para Vitinho, que cruzou; a zaga do Fluminense desviou. Aos 92’, Santi Rodríguez limpou a jogada pela direita, puxou para o meio e chutou de canhota, à direita de Fábio.

Aos 96’, Everaldo encontrou Lucho livre na frente de Léo Link, que perdeu a chance. No rebote, Savarino isolou. Aos 98’, Alex Telles cobrou falta por cima do gol.

Fim de jogo. O Botafogo terminou com 55% de posse, sete finalizações e apenas uma no gol. O Fluminense teve 12 finalizações, seis no alvo, venceu por 1 a 0 e ficou muito próximo de conquistar a Taça Guanabara.

Na arquibancada, Maik Santos resumiu:

— “O Fluminense, que era nosso freguês, agora virou o contrário. Depois que entrou a tropa, os titulares, o time jogou melhor. O problema foi o meio, muito distante. Não tem muito o que cobrar. O primeiro tempo foi atípico, a chuva atrapalhou tudo. A molecada precisa de mais entrosamento.”

Na avaliação de Marcelo Pontes, o contexto da partida também precisa ser melhor dimensionado. Segundo ele, ao contrário da ideia inicial de um clássico com muitos reservas, o Fluminense atuou com quase todos os titulares, o que ajuda a explicar o controle maior do jogo em vários momentos.

Pontes destaca ainda o erro decisivo no lance do gol:

“Perdemos porque o Bastos deixou o John Kennedy livre.”

Outro ponto citado foi a adaptação tática:

“O Nathan não se adaptou jogando como ala. Claramente teve dificuldade no posicionamento e na leitura defensiva.”

Por fim, Marcelo foi direto sobre Matheus Martins:

“O Matheus Martins é melhor vender mesmo, se der.”

O comentário reforça a leitura de que, apesar da evolução no segundo tempo, o Botafogo ainda sofre com ajustes individuais e escolhas de função, pontos que seguem como desafio para Martín Anselmi na sequência da temporada.

No Clássico Vovô, o mais antigo do Brasil e o terceiro mais antigo das Américas, o Fluminense foi mais eficiente. O Botafogo, ainda em construção sob o comando de Martín Anselmi, mostrou reação tardia, mas saiu derrotado.

Com o resultado, as equipes agora voltam suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O Botafogo volta a campo contra o Grêmio, em Porto Alegre, enquanto o Fluminense enfrenta o Bahia, em Salvador, na quinta-feira, buscando manter o embalo Boa confirmar o bom momento na temporada.

Foto destaque: Botafogo e Fluminense pelo estadual (Reprodução/Vitor Silva/Instagram/@botafogo)

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