Quando a muralha caiu: Fluminense vence e o Botafogo sangra dentro e fora de campo

Quando a muralha caiu: Fluminense vence e o Botafogo sangra dentro e fora de campo

Entre a derrota no clássico, lesões em série e a demissão de quase 50 funcionários da SAF, o Alvinegro viveu uma quinta-feira que antecipou a sexta-feira 13.

Fluminense e Botafogo entraram em campo pela 3ª rodada do Campeonato Brasileiro carregando contextos distintos, mas a mesma pressão por resposta. O Glorioso vinha de uma derrota pesada por 5 a 3 para o Grêmio, na Arena, enquanto o Tricolor chegava de um empate em 1 a 1 com o Bahia, na Fonte Nova.

Quinta-feira à noite, véspera de Carnaval, público razoável de 32.397 espectadores no estádio. Entre eles, os torcedores Rodrigo Barreto, Samuel Raimundo e Josimar Henrique, além do representante tricolor Olecram Avlis, convidado para a tradicional resenha. Um dado chamou atenção desde cedo: a torcida do Botafogo esgotou em poucas horas os 4 mil ingressos a que tinha direito.

Antes mesmo da bola rolar, a resenha entre amigos já estava armada. O duelo em campo remetia à velha história bíblica: Davi contra Golias. De um lado, a defesa alvinegra, alta e imponente; do outro, um ataque tricolor mais leve e móvel, apostando na inteligência e na velocidade.

O tamanho do duelo

A comparação não era apenas simbólica. Os números ajudavam a ilustrar o contraste físico.

Zagueiros do Botafogo

Alexander Barboza – 1,93 m

Ythallo – 1,93 m

Newton – 1,88 m

Atacantes do Fluminense

John Kennedy – 1,73 m

Agustín Canobbio – 1,75 m

Kevin Serna – 1,82 m

Acosta – 1,70 m

No papel, vantagem clara para o “Golias” alvinegro. No campo, a história seria outra.

Foto: Torcedores do Botafogo (Reprodução: Vitor Silva/Flickr/Botafogo F R)

Primeiro tempo: truncado como o público

O primeiro tempo foi tão morno quanto as arquibancadas. Muitas disputas de bola, pouco jogo fluido e cinco cartões amarelos distribuídos — dois para o Botafogo e três para o Tricolor.

O Fluminense teve 51% de posse de bola, finalizou cinco vezes (duas no gol), enquanto o Botafogo zerou os quesitos ofensivos. O melhor momento foi tricolor: Canobbio, em bela triangulação, invadiu a área e acertou a trave, sendo abafado na sequência por Newton.

Aos 23 minutos, Allan saiu lesionado e deu lugar a Barrera, ampliando a lista de problemas físicos que têm atormentado o Botafogo neste início de temporada.

Buscando mais velocidade, Martín Anselmi sacou o zagueiro Ythallo e lançou Nathan Fernandes, mudando o esquema para o 4-1-2-3.

Segundo tempo: Davi encontra a brecha

Logo aos 47 minutos, John Kennedy perdeu um gol cara a cara com o goleiro Neto. A crítica veio na hora.

> “Nunca se dá o lado do gol pro atacante virar… erro de criança”, disparou Rodrigo Barreto, mirando Newton.

O primeiro chute do Botafogo só saiu aos 51 minutos, em cobrança de falta de Alex Telles. Pouco depois, aos 55, veio o lance decisivo: golaço de Acosta. Após rebote de Neto, o atacante deu um chapéu no goleiro e cabeceou para o fundo das redes.

> “Mais uma falha desse goleiro em clássico”, reclamava a mesa da resenha.

“Água de salsicha”, completou Samuel Raimundo.

Aos 60 minutos, Canobbio foi expulso após cotovelada em Montoro. Mesmo com um jogador a menos, o Fluminense seguiu melhor. O Botafogo parecia sem reação.

> “Time sem sal, sem gosto, sem nada”, resumiu Josimar Henrique.

“Com certeza, o pior jogo do Anselmi”, emendou Barreto.

Resenha, azar e sentença

As substituições se sucederam, assim como as críticas. As odds das casas de apostas escancaravam a descrença: vitória do Botafogo pagando 41, empate 4,33, e 1,25 para o Fluminense, amplamente favorito.

Já nos acréscimos, o árbitro assinalou falta na intermediária para o Botafogo. Danilo foi para a cobrança e acertou a trave esquerda de Fábio, no lance que simbolizou a noite alvinegra: perto, mas sem destino. Logo após o chute, o meia caiu no gramado sentindo dores, confirmando mais um problema físico em um elenco já castigado por lesões.

Na resenha, o comentário foi imediato.

> “Esquece tudo, mano… é azar”, resumiu Rodrigo Barreto.

Do outro lado da mesa, Olecram, torcedor tricolor infiltrado na resenha, completou:

“Olha aí… mais um quebrado. Não dá pra ter tanto jogo assim e não pagar a conta”.

Com oito minutos de acréscimo, nada mudou. O apito final confirmou o roteiro.

Fim de jogo

Fluminense 1 x 0 Botafogo.

O Tricolor terminou com 53% de posse de bola, 10 finalizações contra apenas 3 do rival e controle emocional mesmo em inferioridade numérica. Na crônica do clássico, ficou a lição bíblica: nem sempre o maior vence. Entre zagueiros de quase dois metros e atacantes mais baixos, foram a inteligência, a mobilidade e a precisão que decidiram. Mais uma vez, Davi venceu Golias.

Para o Botafogo, o resultado marcou a quarta derrota consecutiva sob o comando de Anselmi. E a noite amarga dentro de campo se somou a uma derrota ainda mais profunda fora dele. Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, a SAF alvinegra promoveu a demissão de quase 50 funcionários, aprofundando o clima de instabilidade e tensão nos bastidores do clube.

Entre críticas, lesões e incertezas, a sensação que se espalhou entre torcedores e funcionários foi resumida em uma frase que ganhou força nas arquibancadas e nas redes sociais: a sexta-feira 13 chegou mais cedo — na quinta — para o Glorioso.

Não há tempo sequer para lamentações. No domingo, o Alvinegro enfrenta o Flamengo, pelas quartas de final do Campeonato Carioca, competição em que ainda não venceu nenhum clássico na temporada.

E a semana decisiva não para por aí. Na quarta-feira de Cinzas, o Botafogo encara o Nacional Potosí, pela Libertadores, a 3.960 metros acima do nível do mar, no temido Estadio Víctor Agustín Ugarte.

Semana decisiva. Dentro e fora de campo.

Foto destaque: O Zagueiro do Botafogo, Barbosa e o Meia do Fluminense Lucho Acosta (Reprodução: Vitor Silva/Flickr/Botafogo F R)

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